Ministro admite possibilidade de MP para liberar recursos do Fies
O ministro da Educação, Mendonça Filho,
disse nesta quinta-feira (6) que lamenta que o Congresso Nacional não tenha
votado, em sessão suspensa na madrugada desta quinta, a matéria que abre
crédito para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e não descartou a
possibilidade de ser editada uma Medida Provisória (MP) para liberar o recurso.
A sessão do Congresso foi suspensa por falta
de quórum antes da votação do projeto de lei que libera créditos
extraordinários para o programa, no valor de R$ 702,5 milhões. O montante será
utilizado para pagar uma dívida do governo de R$ 700 milhões com a Caixa
Econômica Federal e o Banco do Brasil referente às taxas de administração dos
contratos do Fies.
Sem a quitação da divida, os bancos não irão
liberar os aditamentos referentes ao segundo semestre deste ano, atrasando
também os pagamentos às faculdades, que estão sem receber desde agosto.
Segundo Mendonça, a decisão de editar uma MP
é do presidente da República e o assunto deve ser discutido fazendo uma
avaliação técnica e, também, política da conjuntura. “A decisão de editar uma
MP não é uma decisão pessoal minha, como ministro da Educação, é sempre do
presidente, ouvidas as áreas técnicas”
E completou: “Evitamos isso desde o primeiro
momento, não quero descartar, mas a decisão não é nossa. Vamos discutir, eu, o
ministro do Planejamento, levarei o assunto para o ministro-chefe da Casa
Civil, Secretaria de Governo e, finalmente, para o próprio presidente Temer
para avaliarmos, junto ao presidente da Câmara e do Congresso, qual o contexto
e a viabilidade”, disse.
Após a sessão ser suspensa, o presidente do
Congresso, Renan Calheiros, que presidia a mesa, disse que iria sugerir ao
presidente Michel Temer que publique uma medida provisória liberando verbas
para o Fies, sem consultar o Tribunal de Contas da União, o que agilizaria a
liberação dos recursos.
Mendonça lembrou que o processo de
tramitação do projeto de lei é mais longo que o de uma medida provisória e
disse que a votação do projeto que trata do Fies tem sido postergada. “Muitas
vezes se critica quando se edita uma medida provisória e, quando se remete
projeto de lei, se tem um processo legislativo longuíssimo, exaustivo e
difícil. Não estou fazendo crítica, estou apenas constatando uma realidade”,
acrescentou o ministro da Educação.
Ele tranquilizou os estudantes e disse que
eles não terão prejuízos nas renovações e novas contratações do Fies. “Os
jovens que dependem do Fies para financiar seus estudos, quero tranquilizá-los
não haverá nenhum prejuízo para os que dependem da renovação ou da contratação
de novos financiamentos de acordo com o cronograma estabelecido. Vamos honrar
retroativamente todos os contratos e renovação de contratos”, disse.
O ministro afirmou que a situação não foi
responsabilidade da atual gestão que, segundo ele, encontrou o orçamento do
ministério sem a dotação financeira suficiente para novos contratos do Fies e
para a renovação dos antigos.
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