MEC abre sistema de aditamento, mas ainda espera verba
O Ministério da Educação (MEC) abriu nesta sexta-feira
(7) o Sistema Informatizado do Fundo de Financiamento Estudantil (SisFies) para
que as instituições de ensino superior iniciem a solicitação dos aditamentos de
renovação do fundo para o segundo semestre de 2016.
Segundo a pasta, a medida tem o objetivo de facilitar
o pagamento de parcelas atrasadas. Esse pagamento, segundo o MEC, deve ocorrer
somente depois da aprovação do projeto de lei que autoriza crédito extra de R$
1,1 bilhão para bancar o Fies.
“Encontramos o Fies sem dotação orçamentária
suficiente para novos contratos e para a renovação dos antigos, que já estavam
em vigência. Mas nós vamos honrar retroativamente todos os contratos e as
renovações”, afirmou o ministro da Educação, Mendonça Filho.
Em nota divulgada na noite desta sexta-feira, o
ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, chamou o atraso nos pagamentos do
Fies de "lambança" e rebateu a informação de que não havia verba para
o programa. Ele esclareceu que "entregou todos os contratos do primeiro
semestre do Fies aditados. O que também faria com os contratos dos segundo
semestre", e que "deixou orçamento de R$ 18, 2 bilhões para o Fies,
mais R$ 260 milhões para pagamento de taxas de administração do programa e R$
259 milhões do Fundo de Garantia De Operações de Crédito Educativo".
Taxas
administrativas
O atraso no repasse de dinheiro para o financiamento
estudantil ocorre porque o governo federal precisa quitar taxas administrativas
com os bancos oficiais, que operam o programa.
Deputados e senadores precisam aprovar verba
suplementar para que o Fies quite a dívida acumulada com a Caixa Econômica
Federal e com o Banco do Brasil, que são responsáveis pelos contratos. Sem a
autorização do Congresso, a liberação do dinheiro que já existe para pagar as
faculdades não é realizada.
Cerca de 1,5 milhão de contratos deverão ser aditados
neste segundo semestre, envolvendo um investimento da ordem de R$ 8,6 bilhões,
que já está reservado no orçamento da pasta. Para o ano de 2017, o MEC diz que
já enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária contemplando
recursos da ordem de R$ 21 bilhões para o Fies.
Segundo o MEC, o novo cronograma para realização dos
aditamentos do segundo semestre de 2016, com a data de abertura do SisFies,
para que os estudantes validem os aditamentos, será divulgado em breve, após a
aprovação pelo Congresso Nacional a suplementação orçamentária necessária à
contratação dos agentes financeiros do Fies, responsáveis pela formalização das
operações de crédito no âmbito do fundo.
Votação
travada no Congresso
Na madrugada desta quinta-feira (6), o Congresso
Nacional encerrou sessão conjunta da Câmara e do Senado por falta de quórum sem
concluir a análise de todos os vetos presidenciais que estavam na pauta. Dessa
forma, não avançou na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e de
créditos suplementares, como o que libera recursos para o Fundo de
Financiamento Estudantil (Fies).
Na quarta-feira, o ministro da Educação, Mendonça
Filho, fez um apelo aos parlamentares para que votassem os créditos para o Fies,
mas garantiu que os estudantes não seriam prejudicados em caso de atraso na
aprovação da liberação dos recursos.
Renan lamentou o baixo quórum, segundo a Agência
Senado, sinalizando que vai convocar uma nova sessão do Congresso o mais
"rápido possível", mas opinou que a concessão dos recursos para o
Fies deveria ocorrer por meio de medida provisória.
Em nota, o Sindicato das Mantenedoras de Ensino
Superior (Semesp) defendeu que a transformação em medida provisória "pode
ser a melhor opção para o Projeto de Lei nº 8, que libera recursos para o MEC
conseguir aditar 1.863.731 contratos do Fies, o Fundo de Financiamento
Estudantil do Governo Federal, de alunos de 1.358 instituições particulares de
ensino".
“Precisa haver um acordo entre as lideranças de todos
os partidos para que o presidente possa editar uma MP que libere de maneira
imediata os repasses. Sem isso, a situação é extremamente grave, tanto para as
IES que estão há três meses sem receber os valores, quanto para os alunos que
logo entrarão em período de rematrícula e correm o risco de não conseguirem dar
andamento no curso”, explicou o diretor jurídico do Semesp, José Roberto Covac.
Comentários
Postar um comentário