Entidades cobram solução para atraso no pagamento do Fies
O atraso de aproximadamente três meses em mensalidades do
Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) foi alvo de protesto na tarde desta
terça-feira (27) em São Paulo. Em evento promovido pela PUC-SP, o Semesp –
Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior apresentou um manifesto assinado
por entidades do setor pedindo a regularização da renovação semestral dos
contratos (veja abaixo íntegra do manifesto).
De acordo com o sindicato, o
atraso afeta 1.863.731 contratos do Fies em 1.358 instituições particulares de
ensino, que acumulam atraso no repasse de cerca de R$ 5 bilhões.
As entidades que assinam o
documento cobram do Poder Executivo e do Congresso Nacional que votem em 4 de
outubro o Projeto de Lei Nº 8 de 2016, que concede crédito suplementar ao
Orçamento Fiscal da União em favor do Ministério da Educação, no valor de mais
R$ 1,1 bilhão, para reforço de dotações constantes da Lei Orçamentária vigente.
Íntegra da nota
"Entidades de
ensino superior pedem o imediato aditamento de contratos do Fies
As entidades
representativas do ensino superior vêm manifestar sua preocupação com o
contexto atual da educação superior do país, que apresenta grave crise de
sustentabilidade das instituições e potencial risco de desistência dos alunos,
provocada pelo não aditamento de 1.863.731 contratos do Fies, o Fundo de
Financiamento Estudantil do Governo Federal, para um total de 1.358
instituições particulares de ensino.
Essa situação tem
gerado grande insegurança para os jovens brasileiros que, sem conseguir aditar
os contratos do programa governamental, não terão os recursos necessários para
enfrentar os custos de formação, sendo mais atingidos os estudantes oriundos da
classe C, responsáveis por mais de 75% dos contratos ativos firmados com o
Fies.
As instituições de
ensino superior, por sua vez, que contavam com esses recursos em seus
orçamentos, ao deixar de receber repasses referentes a certificados do Fies que
somam cerca de R$ 5 bilhões, valor utilizado inclusive para pagamento de
impostos federais, enfrentam uma incerteza absoluta de conseguirem a renovação
de matriculas em 2017 e de sua capacidade de honrar seus compromissos.
É mais que evidente a
importância da imediata concessão de aditamento dos contratos desse programa de
financiamento para que o Brasil possa cumprir o que está estabelecido pelo
Plano Nacional de Educação, permitindo ao país atingir uma taxa de
escolarização líquida no ensino superior de 33% até 2024, semelhante à que é
mantida atualmente por países vizinhos da América Latina.
Segundo o Mapa do
Ensino Superior no Brasil 2016, estudo elaborado anualmente pela Assessoria
Econômica do Semesp, os índices de evasão entre alunos com Fies é três vezes
menor que entre aqueles que não têm o financiamento. Daí a importância da
adoção de medidas urgentes para garantir a oferta desses recursos, com o
imediato retorno do aditamento dos contratos, para que mais jovens brasileiros
possam frequentar o ensino superior.
Importante lembrar que
se encontra em tramitação no Congresso Nacional um importante Projeto de Lei, o
PL Nº 8 de 2016, já aprovado na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e
Fiscalização, que concede crédito suplementar ao Orçamento Fiscal da União em
favor do Ministério da Educação, no valor de mais R$ 1,1 bilhão, para reforço
de dotações constantes da Lei Orçamentária vigente.
Esse crédito
suplementar, que se destina a cobrir custas para agentes financeiros, não afeta
a obtenção da meta de resultado primário fixada pelo Governo Federal para o
corrente exercício, e sua aprovação garantirá a realização de operações
destinadas a atender despesas com os serviços de administração de contratos
prestados por agentes financeiros ao programa Fies.
Assim, diante da
relevância, urgência e alcance social da matéria, as entidades abaixo
relacionadas vêm solicitar ao Poder Executivo e ao Congresso Nacional que,
através de suas lideranças, coloquem em votação o referido Projeto de Lei Nº 8
de 2016 na sessão legislativa do próximo dia 4 de outubro, o que poderá
representar uma solução para o difícil quadro, enfrentado tanto pelos alunos
quanto pelas instituições privadas de ensino superior, que estão ameaçadas de
suspender suas atividades, interrompendo dessa forma o maior processo já
registrado no país de inclusão na educação superior de jovens das camadas menos
favorecidas da sociedade brasileira.
ABMES (Associação
Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior); ABRAFI (Associação Brasileira
das Mantenedoras das Faculdades); ABRUC (Associação Brasileira das
Universidades Comunitárias); AMPESC (Associação de Mantenedoras Particulares da
Educ. Superior de Santa Catarina); ANACEU (Associação Nacional dos Centros
Universitários); ANEC (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil); ANUP
(Associação Nacional das Universidades Particulares); FENEP (Federação Nacional
das Escolas Particulares); SEMERJ (Sindicato das Entidades Mantenedoras de
Estabelecimentos de Ensino Superior do Rio de Janeiro); SEMESP (Sindicato das Mantenedoras
de Ensino Superior)”
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